A Igreja Católica faz memória nesta quarta-feira, 13, de um dos santos mais populares em todo mundo: Santo Antônio de Pádua. Na verdade, seu nome de batismo éFernando de Bulhões y Taveira de Azevedo. Ele nasceu no dia 15 de agosto 1195, na cidade de Lisboa, Portugal, filho de um cavaleiro da corte do Rei Alfonso II, Martinho Bulhões e Maria Teresa Taveira.

Aos 19 anos, entrou para o mosteiro de São Vicente de Fora, dos Clérigos Regulares de Santo Agostinho, nos arredores da capital portuguesa, onde permaneceu por dois anos, quando pediu aos seus superiores para ser transferido para o mosteiro Santa Cruz de Coimbra, casa-mãe do Instituto. Ali, completou seus estudos filosóficos e teológicos e, em 1220, foi ordenado sacerdote. Era desejo do Frei Fernando, entretanto, abraçar um gênero de vida mais perfeito e mais de acordo com suas íntimas aspirações.

Nesse tempo, ainda estava vivo Francisco de Assis e os primeiros frades dirigidos por ele chegavam a Portugal, instalando ali um mosteiro. Os franciscanos eram conhecidos por percorrer caminhos e estradas vestidos com seus hábitos simples e vivendo em total pobreza. Neste mesmo ano de 1220, chegaram a Coimbra os restos mortais de cinco protomártires franciscanos, martirizados pelos muçulmanos no Marrocos. Frei Fernando sentiu um grande desejo de imitá-los, dando também a sua vida por Jesus Cristo e, assim, obteve autorização de seu Superior para ingressar na Ordem dos Franciscanos, tornando-se um filho de São Francisco de Assis. Foi então que o Frei Fernando mudou o seu nome para Frei Antônio.

Conforme havia sido combinado, Frei Antônio foi enviado à África, mas mal chegando ao Marrocos, contraiu uma doença que o obrigou a voltar para Portugal. Entretanto, o navio em que viajava foi envolvido por um tremendo vendaval, que o empurrou em direção à Itália. Antônio desembarcou na Ilha da Sicília e de lá rumou para Assis, a fim de se encontrar com São Francisco, no Capítulo da Ordem.

No Capítulo, o Provincial da Romênia resolveu levá-lo consigo, mas Frei Antônio recebeu licença para permanecer no eremitério do Monte Paulo a fim de entregar-se ao isolamento e à contemplação, onde viveu como eremita por aproximadamente um ano. Chegaram ao eremitério, então, alguns franciscanos e dominicanos que receberiam as ordens sacras e o Padre guardião do convento pediu que alguns dos presentes dissessem algo para a glória de Deus e edificação dos demais. Todos se escusaram por não estarem preparados, restando o Frei Antônio. De sua boca saíram palavras de profundo conhecimento teológico e das Escrituras, tudo exposto com uma lógica, clareza e concisão que conquistou a todos. A notícia chegou a São Francisco que mandou, então, que o Frei Antônio estudasse teologia escolástica para dedicar-se à pregação.

Com apenas 26 anos de idade, foi eleito Provincial dos franciscanos do norte da Itália, mas seu desejo era pregar e rumou pelos caminhos da Itália setentrional, praticando a caridade, catequizando o povo simples, dando assistência espiritual aos enfermos e excluídos e até mesmo organizando socialmente essas comunidades. Pregava contra as novas formas de corrupção nascidas do luxo e da avareza dos ricos e poderosos das cidades, onde se disseminaram filosofias heréticas. Ele viajou por muitas regiões da Itália e, por três anos, andou pelo Sul da França, principal foco dessas heresias.

No final de sua vida, Santo Antônio, que era portador de hidropisia maligna (doença que causa retenção de líquidos no organismo, fazendo com que a pessoa fique inchada), sentiu que a hora de se encontrar com o Senhor estava se aproximando. Desejou ir para a igreja de Santa Maria, mas estando muito debilitado, parou em Arcella que se encontra às portas de Pádua. Aos 36 anos, na sexta-feira do dia 13 de junho de 1231, no convento de Santa Maria de Arcella, às portas da cidade que batizou de “casa espiritual”, morreu após pronunciar as palavras: “Video Dominum Meum” (Vejo o meu Senhor!).

Seu culto é um dos mais populares e foram tantos os milagres ocorridos que, onze meses após sua morte, foi canonizado pelo Papa Gregório IX. Em 1263, quando seu corpo foi exumado, sua língua estava intacta e continua intacta até hoje, numa redoma de vidro, na Basílica de Santo Antônio, em Pádua, onde estão seus restos mortais.

Mais tarde, em 1934, foi declarado Padroeiro de Portugal. E, em 1946, o Papa Pio XII proclamou Santo Antônio ‘Doutor da Igreja’, com o título de ‘Doutor Evangélico’. Santo Antônio não perdeu sua atualidade e é invocado pelo povo cristão, até hoje. O desejo do santo foi realizado dias depois de sua morte, conduziram-no até a Igreja de Santa Maria Mãe de Deus para ser sepultado. Anos depois, seus restos foram transferidos para a enorme basílica, em Pádua.

Milagres
A cidade de Rimini, na Itália, estava nas mãos de hereges. À chegada do missionário, os chefes deram ordem para isolá-lo através de um ambiente de silêncio manifestando indiferença. Antônio não encontra ninguém a quem dirigir a palavra: igrejas vazias e praças desertas. Anda pelas ruas da cidade rezando e meditando. Coloca-se diante do mar Adriático e chama o seu auditório: “venham vocês, peixes, ouvir a palavra de Deus, já que os homens petulantes não se dignam ouvi-la”. Logo apareceram centenas de peixes. A curiosidade do povo foi mais forte, foram ver o que estava acontecendo e ficaram maravilhados, aconteceu o entusiasmo, o arrependimento e o regresso à Igreja.

Durante uma pregação, cujo tema era a Eucaristia, levantou-se um homem dizendo: “Eu acreditarei que Cristo está realmente presente na Hóstia Consagrada quando vir o meu jumento ajoelhar-se diante da custódia com o SS. Sacramento”. O Santo aceitou o desafio. Deixaram o pobre jumento três dias sem comer. No momento e lugar pré-estabelecido, apresentou-se Antônio com a custódia e o herege com o seu jumento que já não agüentava manter-se em pé devido ao forçado jejum. Mesmo meio-morto de fome, deixou de lado a apetitosa pastagem que lhe era oferecida pelo seu dono, para se ajoelhar diante do Santíssimo Sacramento.

Milhares de pessoas acorriam de toda parte para ouvir os sermões de Antônio. O seu cristianismo não era monótono mas tendia a austeridade, mesmo assim, não desencorajava os penitentes. Conta-se que em uma quaresma, o povo de Pádua não ia trabalhar antes de ouvir Antônio falar sobre a palavra de Deus. E ele já muito debilitado falava ao povo de cima de uma nogueira em Camposampiero.

Numa tarde, um conde dirigiu-se à cela de Antônio. Ao chegar, viu sair de uma brecha um intenso esplendor. Empurrou delicadamente a porta e ficou imóvel diante de uma cena prodigiosa: Antônio segurava nos seus braços o menino Jesus! Quando despertou do êxtase pediu ao conde que não revelasse a ninguém a aparição celeste.

 

 

Com informações da Arquidiocese de Campinas

 

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