ARQUIDIOCESE
de Pouso Alegre

Arquidiocese se manifesta sobre situação dos moradores de rua - por Pe. Andrey Nicioli


A Comissão Comunidade de Fé a Serviço da Vida Plena para todos, juntamente com a Coordenação Arquidiocesana de Pastoral, diante de alguns fatos que afetaram a população de rua em algumas cidades de nossa Arquidiocese, após consulta a todos os conselhos setoriais de pastoral, manifestam-se através da seguinte carta:

 

Mensagem ao Povo de Deus da Arquidiocese de Pouso Alegre

“Os rostos sofredores dos pobres são rostos sofredores de Cristo” (Santo Domingo 178)

 

Às irmãs e aos irmãos na fé e às mulheres e homens de boa vontade: a paz do Senhor esteja conosco!

Vivenciamos estes dias, em várias cidades do Brasil e também nas cidades de nossa região, ações vindas dos poderes públicos em relação à população que vive em situação de rua, os “Lázaros” de hoje nas praças e calçadas de nossas cidades, às portas das igrejas, vivendo dos restos ou da solidariedade de alguns. São várias as razões que levam essas pessoas à vida de rua e nem todos conseguem dela sair, mesmo com o apoio de instituições e pessoas. São fatores complexos que precisamos compreender melhor para poder agir melhor.

Diante dessas situações, muitos cristãos e cristãs e pessoas de boa vontade se organizam para trabalhos sociais e pastorais junto a essas pessoas. Trabalham com paciência, respeito e escuta. Em nossa Arquidiocese, queremos destacar a ação da Pastoral de Rua em Pouso Alegre e da Casa Emanuel em Santa Rita do Sapucaí, dois significativos exemplos de como atuar junto aos Cristos sofredores de hoje.

Viemos alcançá-los com nossa mensagem, na esperança de acalentar os corações que anseiam por paz e justiça, principalmente daquelas e daqueles que trabalham na promoção do bem comum, junto aos pequenos e sofredores, especialmente com a população em situação de rua. Desejamos fazer ecoar a palavra de Deus feita solidariedade: “dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6,37).

Sabemos que não é tarefa fácil, primeiro, porque as pessoas, retiradas de sua dignidade, estão desumanizadas e é preciso ajudá-las a reencontrar o sentido da vida; segundo porque, numa sociedade marcada pela cultura do consumo e do descartável, pessoas como essas são tratadas como os que “incomodam”, “enfeiam”, “sujam”. Parece-nos que nossa sociedade também perde sua humanização! Infelizmente, dentro dela, muitos cristãos e cristãs já não conseguem reconhecer o rosto sofrido de Cristo nesses nossos irmãos e irmãs.

De outro lado, esses desafios são convites para dialogar com a sociedade e com os governos, em busca de ações que possam, de fato, ajudar essas irmãs e irmãos a se reencantarem com o dom da vida. É certo que há muitas experiências bonitas, que valorizam essas pessoas, independente das condições em que se encontram, para proporcionar-lhes alimento, saúde, trabalho, educação, moradia, mas, acima de tudo, respeito à sua dignidade como pessoa humana.

Destacamos a Política Nacional da População em Situação de Rua, construída com a participação de amplos setores da sociedade que trabalham com esse povo, governos, Ministério Público e, inclusive, com o Movimento Nacional da População de Rua, onde eles mesmos se fazem ouvir. Depois dela, várias outras leis foram criadas ou adaptadas à essa realidade, inclusive a Lei Orgânica de Assistência Social, que prevê o atendimento às necessidades dessa população, em respeito à sua dignidade humana, incluindo a liberdade e a vontade de participar de tratamentos de saúde mental. São conquistas importantes da sociedade brasileira que incorporam equipamentos públicos como o Centro Pop e o CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas).

Diante da palavra de Deus, somos chamadas e chamados a percorrer essa jornada com esperança, fé e caridade, partilhando as boas experiências, conhecendo melhor essas pessoas, buscando construir ações pessoais, de grupos, institucionais, pastorais e de políticas públicas que permitam o acesso aos direitos básicos de vida e cidadania para elas. Isso, com certeza, não poderá ser construído com violência física ou moral, com indiferença por parte de quem quer que seja, ou por meio de ações de “higienização social”. É preciso, antes de tudo, limpar nossos corações para que o verdadeiro amor floresça.

Como Igreja, nos colocamos no caminho do diálogo e do serviço. O que nos move é o amor em Jesus Cristo, filho de Deus feito homem, o pobre de Nazaré. Amor que nos convida a promover a vida em todas as suas dimensões. Que Maria, mãe amorosa, nos ensine a realizar sempre a vontade de seu filho Jesus que veio “para que todos tenham vida e a tenham em plenitude” (Jo 10,10).

 

Pouso Alegre, 6 de maio de 2017.

 

Conselho Arquidiocesano de Pastoral

Comissão Arquidiocesana para a Promoção da Vida Plena

 

 

 

Publicado no dia 24/05/2017